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Cresce o comércio on-line
(20/06/2008 - 17:41)

Apesar do crescimento acelerado do comércio eletrônico nos últimos anos, o mercado de vendas pela internet é altamente concentrado. São mais de 3 mil lojas on-line no País, mas cerca de 20 grandes grupos abocanham quase 80% do total faturado com a comercialização de produtos e serviços pela Web.

Diante desse cenário, a alternativa para as micro e pequenas empresas se inserirem nessa área e atingirem esse tão desejado consumidor passa pela especialização e a parceria com outros empreendimentos. "As oportunidades das micro e pequenas estão na criação de nichos de mercado. Não dá para competir diretamente com as grandes", diz o diretor-geral da e-Bit, empresa especializada em marketing on-line, Pedro Guasti. De acordo com ele, se o consumidor tiver de optar entre uma loja grande, famosa e fácil de achar na internet e uma microempresa sem uma marca tão forte, preferirá a primeira, até pela insegurança que muitos têm em relação às compras pela rede.

Para o diretor, é fundamental ter a iniciativa de oferecer um produto diversificado e estabelecer parcerias com os grupos grandes, para que incorporem os produtos nas suas próprias lojas. Já para o presidente do Serviço Brasiliero de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Distrito Federal, José Carlos de Luca, a inserção no mercado deve ser feita em etapas e com calma. O importante é que a empresa esteja preparada quando começar a vender pela internet. "Se você não for bem atendido na primeira vez que você compra algo em um site, nunca mais você compra nada lá", esclarece.

Para fazer frente ao mercado concentrado e à força dos grandes grupos, o presidente do Sebrae-DF aposta na união entre os pequenos. "É importante que se organizem em grupos de produção que construam uma rede. O que um não tiver, passa para o colega. Assim, ninguém perde negócio", sugere.

Sucesso
O empresário Anthony Moreira, de 29 anos, montou a loja virtual de seu empreendimento há cerca de três anos. Hoje, no site da AcmeDigital, que trabalha com a venda e manutenção de videogames, peças e aparelhos eletrônicos, é possível escolher e encomendar qualquer um dos produtos comercializados na loja física. "Dificilmente as nossas vendas pela internet deixam de representar ao menos 50% do nosso faturamento", revela Anthony. Na hora da compra, basta o preenchimento de um formulário. E a empresa já está em processo avançado para estabelecer uma parceria com os cartões de crédito Visa e Mastercard para que seus clientes tenham mais segurança na hora de adquirir um produto.

O sucesso na rede foi tanto que AcmeDigital hoje tem um braço que vende assistência para outras empresas que desejam se aventurar pela internet.



Vendas superam R$ 13 bi

O mercado de comércio eletrônico no Brasil não pára de crescer e atrair cada vez mais novas empresas e consumidores. Hoje, as vendas pela internet movimentam mais de R$ 13 bilhões ao ano. Somente em bens de consumo, como livros, CDs, DVDs, aparelhos eletrônicos, materiais de informática e roupas foram R$ 4,4 bilhões em 2006, um crescimento de 76% em relação a 2005, de acordo com dados da empresa especializada em marketing on-line e-Bit.

Aumento
Nos primeiros meses de 2007, o desempenho do chamado e-commerce, como é conhecido o comércio on-line, continuou forte. Ao final de 2006, a e-bit estimava que sete milhões de brasileiros faziam compras pela internet. Em março, já eram 7,5 milhões. A expectativa do grupo é de que até o final do ano esse número chegue a dez milhões de pessoas.

Já a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico trabalha com dados mais conservadores, embora também ascendentes. Segundo ela, em março de 2007 eram 5,7 milhões de consumidores on-line, 20% a mais do que em março de 2006.

Como foi dito, esse público tem alto poder de consumo, mais anos de estudo e  gosto sofisticado. No entanto, o aumento do acesso a internet tem permitido a popularização dessa forma de comércio.

"Nossa expectativa é positiva para os próximos anos pela inclusão digital. Cada vez mais brasileiros de renda menos elevada têm condições de comprar equipamentos e ter acesso à rede", comenta o diretor da e-Bit, lembrando que o brasileiro é recordista mundial de acessa a internet, com 22 na rede por mês.

 


"Grandes" invadirão a rede

Aproveitando a forte expansão do comércio eletrônico, três grandes redes do varejo, Carrefour, Wal-Mart e Casas Bahia, devem começar a vender produtos pela internet no próximo ano. O Carrefour, que lidera o ranking de redes supermercadistas, prevê o início das vendas pela internet até o final do primeiro semestre de 2008, segundo o diretor de serviços da rede francesa no Brasil, Alexandre Ribeiro.

A data, os produtos que serão vendidos e os locais de entrega serão definidos até o próximo mês. De acordo com Ribeiro, os modelos a serem seguidos serão os que o Carrefour tem na França e na Espanha.

Até novembro, no entanto, a rede já entra na web com um site oferecendo pacotes turísticos, ampliando as vendas que já acontecem em 21 unidades do Carrefour no Estado de São Paulo, em parceria com a CVC. Ainda neste ano, esse número pode chegar a 50 unidades.

Na rede americana Wal-Mart, Carlos Fernandes, vice-presidente da Divisão de Especialidades, disse apenas que 2008 é uma data provável". O estudo sobre a inserção da empresa no comércio eletrônico fica pronto em breve.

O Grupo Pão de Açúcar, que perdeu a liderança do setor para o Carrefour neste ano, já vende produtos pela internet desde 1995. Hoje, as operações virtuais respondem por menos de 1% das vendas totais da companhia (R$ 16,5 bilhões em 2006), mas a meta é alcançar R$ 1 bilhão em quatro anos. De acordo com a empresa, de janeiro a novembro de 2006, as vendas no site www.extra.com.br tiveram um crescimento de 144% em relação ao mesmo período de 2005.

Nas Casas Bahia, líder nacional no setor varejista de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e móveis, a entrada no comércio eletrônico está condicionada à ampliação da base de clientes com cartões de crédito com a bandeira da empresa. Já foram emitidos 2,5 milhões e a meta é vender pela internet quando essa marca chegar aos quatro milhões, o que pode acontecer já em 2008, segundo projeções da empresa.

De acordo com os últimos dados divulgados pelo IBGE, o Brasil tinha 32,1 milhões de usuários de internet em 2005, o equivalente a 21% da população. A idade média das pessoas que acessam a rede é de 28,1 anos, com uma média de 10,7 anos de estudo.

Raphael Bruno



 
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