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Títulos descritivos funcionam melhor nos feeds
(20/06/2008 - 17:39)

Por Emersom Satomi

Apesar de sua ampla difusão, feeds são negligenciados por boa parte dos sites que os publicam. Pelos grandes e pelos “pequenos” - leia-se blogs - também.

Não é novidade que usuários avançados preferem feeds a ter que ficar acessando dezenas de sites no browser. Não temos estatísticas ainda sobre isso, mas o fato da coisa ainda estar concentrada nos power-users deve explicar o relativo descaso dos publishers. Mas, à medida que a usabilidade melhorar, cada vez mais pessoas vão preferir essa forma de “escanear” conteúdo.

Escanear é a palavra-chave. Escaneamos o conteúdo e decidimos o que será lido. Baseado em quê? Nos títulos. O problema é que isso vem se revelando uma tarefa ingrata. Porque, no geral, títulos em feeds são ruins. Muitos fornecem resumos incompletos na descrição do item e tantas vezes os títulos não informam do que se trata o texto. Sem contar sites que escondem o link ou o auto-discover não funciona.

A lógica predominante é que o leitor deve visitar o site caso algum item do feed interesse. Mas há contradições práticas aí:

1. Se o título não indicar explicitamente do que se trata o post, o leitor passa batido. O site perde uma visita em potencial. Se o título fosse mais informativo, isso pode não aocntecer.

2. Quando o leitor já sabe que o conteúdo em questão é muito bom, ele pode parar e conferir a descrição de um item com título mais enigmático. Aí, encontra só o primeiro parágrafo, cortado de repente após uma linha! Ainda não dá para entender do que se trata e… ele desiste.

O leitor deixa de acessar muitos textos e posts quando o título não informa bem, pois não dispõe de tempo para ler a descrição de cada um.

Com descrição e título informativos, todos sairiam ganhando. Um título claro traz melhores resultados também em termos de SEO (Search Engine Optimization). Por exemplo, ao escrever um artigo como este, que título você escolheria?

1. “Feeds: não é a mamãe!” (referência a uma possível brincadeira no primeiro parágrafo)
2. “Melhores títulos em feeds”

Analisando friamente, parece óbvio: opção 2! Mas é incrível o quanto se vê de títulos do tipo 1 por aí. Não sou contra piadas ou alta literatura, mas é preciso ser prático e objetivo. Apesar de mais sem-graça, a opção 2 dá melhores resultados em todos os aspectos:

  • leitores saberiam do que se trata o item rapidamente. É isso o que queremos, não piadas ou literatura (se o autor preferir, pode usar e abusar disso no corpo do texto)
  • o site informaria adequadamente do que se trata o texto, permitindo que o leitor interessado clique na entrada
  • mecanismos de busca encontrariam o texto em uma pesquisa “feeds + títulos”

O texto aberto no site ficaria menos engraçado. Mas isso não é um problema, pois não é o objetivo - com exceção de um site de humor.

Talvez o grande problema dos títulos de feeds é que eles são os mesmos títulos que vão na página. Assim, quando o autor escreve, geralmente está pensando no site e, muitas vezes, leva em consideração esse contexto: imagens, tags, linha-fina (texto que resume a notícia, entre o título e o corpo), timestamp, texto integral logo abaixo…

Mas é perfeitamente possível pensar nos dois ambientes ao mesmo tempo, ao escrever o título. Ou mesmo pensar apenas no feed: a vantagem disso é que teremos um bom título também para o site, pelo menos em termos de SEO e clareza.

Feeds integrais

O Google comprou o FeedBurner, que já possuía uma boa tecnologia para embutir anúncios em feeds, além de gerenciá-los e colher estatísticas. Com isso, deve aumentar o número de feeds integrais — onde todo o texto, imagens e vídeos são disponibilizados. Não é preciso esperar. A solução já existe. Um artigo que descreve bem - apesar de um pouco antigo - como a renda aumentou após a “abertura total” do feed pode ser lido aqui.

Para quem usa a tecnologia, é muito mais prático ver tudo diretamente no agregador. Nem é preciso listar os motivos. E como não é nenhum segredo industrial a inclusão de anúncios e a análise estatística de feeds, já está mais do que na hora de vermos mais feeds integrais por aí.

Um artigo interessante, de Rick Klau, vice-presidente do FeedBurner, indica que não há evidência, conforme sua ampla base de dados, de que feeds parciais gerem mais visitas que feeds integrais — apesar da parcialidade desse comentário.

Muitos bloqueiros ainda têm receio de “abrir tudo”, mas são, novamente, os blogs que estão na dianteira. Muitos dos mais acessados (pelo menos aqueles em inglês) oferecem o feed completo. Isso se deve, em boa parte, a ampla adoção do FeedBurner, que incentiva a distribuição do conteúdo integral.

Exemplos

A seguir alguns exemplos de como alguns portais/sites tratam os feeds. Não há aqui nenhum critério sistemático. São apenas alguns dos feeds da minha lista:

  • UOL: só há o título! E é um pouco redundante, pois inclui uma timestamp no texto. Pelo menos, tem a seção do site de onde vem a “notícia”
  • Estadão: varia. Alguns itens incluem só o título, outros mostram também a linha-fina
  • Ombudsman UOL: só o título. E esses não informam bem do que se trata o texto
  • Novo em Folha: só o título. Assim como o anterior, sofre do problema dos títulos genéricos/enigmáticos. Dá para entender, já que são blogs de interesse ultra-restrito
  • Digg: apesar de alguns títulos enigmáticos (propositalmente), a descrição vem completa. No entanto, falta o link para o artigo de referência, forçando a visita ao site
  • Rec6: como o Digg, com uma vantagem: há o link para o artigo de referência. Assim, não é preciso visitar a página original

Uma boa exceção entre os sites com feeds parciais é o G1, que inclui a linha-fina em seu feed (assim como o Webinsider). Isso é tão básico, mas ainda assim costuma ser negligenciado.

Em inglês, a Wired é outro bom exemplo. Eles usam uma linha-fina redigida exclusivamente para o feed, já que ela não aparece (nem seria necessário) na página original.

Isso foi uma evolução e tanto. Até pouco menos de um ano, os títulos da Wired eram horríveis. Ótimos em termos de literatura, trocadilhos e referências a filmes. Mas não informavam, isoladamente, o conteúdo do texto. Basicamente, isso acontecia porque o título era o mesmo da versão impressa. Na revista, o resultado era ótimo, somado ao design, à linha-fina e às imagens. Em um feed, simplesmente, não funcionava. Mesmo nas notícias exclusivamente online, essa cultura de títulos ainda predominava.

Esse bom exemplo da Wired atual é o padrão usado em grandes redações — pelo menos as que se planejam bem -, onde há conteúdo impresso e online compartilhado. Na hora de redigir o texto, há campos específicos que serão usados apenas na versão online. O próprio redator do setor impresso pode preencher esse campo, poupando o setor web do redundante trabalho de edição para colocar o texto no site.

Obviamente, tudo isso é bem relativo. Vale o bom senso. Eu mesmo, no final, não usei o título “Melhores títulos em feeds”. Motivo: como o Webinsider aborda temas bem específicos, achei que uma referência a um filme (desconhecido!) misturado a “feeds” não comprometeria tanto a compreensão. Vamos ver se o editor mantém meu título ou se vai mexer nele… [Webinsider].



 
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